BNCC Matemática | Como ensinar Álgebra para crianças

Veja só a postagem que eu encontrei em uma rede social:

O que essa postagem faz é uma crítica, muito bem humorada, a uma unidade temática da Matemática chamada “Álgebra”. E é exatamente sobre Álgebra e sua aplicação nos anos iniciais do Ensino Fundamental – 1º ao 5º ano – que vamos falar nesta série de posts.


Assista ao conteúdo deste post no vídeo a seguir!


Para começo de conversa, dê uma olhada olhada no texto da Base Nacional Comum Curricular (a partir de agora, BNCC), sobre esta unidade temática (se quiser dar uma conferida, o texto está na página 268):

A unidade temática Álgebra, por sua vez, tem como finalidade o desenvolvimento de um tipo especial de pensamento – pensamento algébrico – que é essencial para utilizar modelos matemáticos na compreensão, representação e análise de relações quantitativas de grandezas e, também, de situações e estruturas matemáticas, fazendo uso de letras e outros símbolos.

Antes da homologação da BNCC, os estudantes começavam a estudar Álgebra, como uma unidade temática da Matemática (anteriormente o termo específico era eixo temático), lá pelo 7º ano, quando começavam a aparecer as expressões algébricas mais simples e, posteriormente, as equações do 1º grau. Esta era a época em que começavam a aparecer letras para representar números.

Porém, agora, desde o 1º ano do Ensino Fundamental a Álgebra já será estudada como uma unidade temática própria. Mas isso não significa que os pequeninos farão uso das letras tão assustadoras para muitos estudantes e até mesmo adultos!

Então, como isso vai acontecer? Vamos ver outro trecho do texto da BNCC sobre essa unidade temática:

(…) é imprescindível que algumas dimensões do trabalho com a álgebra estejam presentes nos processos de ensino e aprendizagem desde o Ensino Fundamental – Anos Iniciais, como as ideias de regularidade, generalização de padrões e propriedades da igualdade. No entanto, nessa fase, não se propõe o uso de letras para expressar regularidades, por mais simples que sejam.

Aqui cabe uma observação importante, que tranquilizará os profissionais e trará luz a algumas questões. Na verdade, o que agora vai ser evidenciado como Álgebra, já era trabalhado, de certa forma, na unidade temática Números (anteriormente denominado eixo “Números e Operações”). Portanto, não necessariamente estão sendo acrescentados novos conteúdos. Poderíamos dizer que o que agora ocorre é o reconhecimento de que certos conceitos, certos resultados e generalizações importantes, estão relacionadas com o pensamento algébrico. Em termos simples, a Álgebra é uma generalização de muita coisa que é tratada na unidade Números.

Vejamos mais uma parte do texto da BNCC sobre a Álgebra:

A relação dessa unidade temática com a de Números é bastante evidente no trabalho com sequências (recursivas e repetitivas), seja na ação de completar uma sequência com elementos ausentes, seja na construção de sequências segundo uma determinada regra de formação.

Ficou claro? A compreensão de regularidades, de padrões está relacionada ao pensamento algébrico. Vamos a mais um trecho do texto:

A relação de equivalência pode ter seu início com atividades simples, envolvendo a igualdade, como reconhecer que se 2 + 3 = 5 e 5 = 4 + 1, então 2 + 3 = 4 + 1. Atividades como essa contribuem para a compreensão de que o sinal de igualdade não é apenas a indicação de uma operação a ser feita.

Esse tipo de percepção em relação às igualdades é algo já trabalhado nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental. E a compreensão do que é uma igualdade é essencial para o desenvolvimento dos estudos relacionados às equações. Mas tem mais.

A noção intuitiva de função pode ser explorada por meio da resolução de problemas envolvendo a variação proporcional direta entre duas grandezas (sem utilizar a regra de três), como: “Se com duas medidas de suco concentrado eu obtenho três litros de refresco, quantas medidas desse suco concentrado eu preciso para ter doze litros de refresco?”

Muita gente sabe que utilizar uma incógnita para resolver problemas de proporcionalidade, ou regra de três, torna tudo muito mais fácil, não é verdade? Mas o que é proporcionalidade? Como calcular uma proporcionalidade? Esses são raciocínios anteriores ao “macete” da regra de três. E a ênfase nos Anos Iniciais será dada ao pensamento, ao raciocínio. Primeiro, estimula-se e desenvolve-se o pensamento: depois, os procedimentos para simplificar os cálculos poderão, também, ser desenvolvidos.

A proposta da BNCC em relação ao pensamento algébrico é muito interessante, mas para essa unidade ser bem trabalhada com os estudantes, é importante que os professores dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental estudem bastante sobre o assunto. Vale lembrar que os objetivos de aprendizagem da BNCC são, na verdade, direitos de aprendizagem. E os profissionais da educação precisam se comprometer com isso.

A grande questão é:

Uma vez que a Álgebra será desenvolvida, aos poucos, desde os Anos Iniciais do EF, como isso refletirá no aprendizado dos estudantes quando estes tiverem contato com as formas algébricas mais complexas, a partir do 7º e 8º anos?

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Grande abraço e bons estudos!


Leia os outros posts dessa série: “Álgebra nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental“: